terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sobre ursos e pinguins

Existe uma certa burrice no altruísmo, não que eu ache que você não deve ajudar os outros, fazer o bem sem ver a quem te faz bem também. O problema é quando você se doa demais e não sobra nada, quando cada sorriso alheio é construído em cima de uma chaga sua. Masoquismo. Eu sou humano, o primeiro na arte de se por em segundo plano. Só existe desespero quando o outro vai embora e você se percebe vazio, todas as lagrimas que você segurou, e todo o orgulho que você engoliu, de nada valem. E a sensação de impotência e de desimportância só causam destruição. A culpa do seu auto-sacrifício é de ninguém mais se não sua, mas toda a alma que você doou parte com aquele que se vai, e te dilacera por inteiro, e te faz insistir, berrar, espernear. Assim um até logo vira adeus, um talvez vira nunca. A esperança vira desolação. O passado não muda, mas ensina, e eu tenho que aprender a me amar melhor. Isso não é sobre amor, é sobre ansiedade, e sobre a dor da saudade da paz em mim.

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