sábado, 26 de novembro de 2011

O quarto escuro.

Ela era tão linda que parecia modelo e vestia-se com roupas oriúndas dos áureos tempos das pinups. Tinha todos os rapazes aos seus pés, a vida lhe agraciava com a mais pura sorte e tranquilidade que se pode ter. Muitos pensavam que ela era feliz, mas estavam terrivelmente enganados. Sentia um vazio, uma enorme sede de existência que não podia ser preenchida pelas futílidades que alegram a maioria das pessoas. Queria mais, muito mais... o problema era: Ela não sabia mais do quê. Tentou de tudo dentro dos limites impostos pela sanidade. Correu mundos atrás do que procurava, mas do que adianta procurar por algo que você não sabe o que é?
Concluiu isso a si mesma e desistiu de procurar, foi tomada pelo tédio oríundo dos poetas do Mal do Século. Sua vida agora era um agoizante passar de tempo à espera da morte, eis que esta chegou.
E foi nesse exato momento que ela descobriu o que queria: Uma dose de tequila e alguém pra amar.

Tenham um dia cheio de cor.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Cidreira.

O tempo passou para nós,
A gente não era o que foi,
Se ainda lembro da tua voz,
É porque isso ainda me dói,
Nosso passado é mais que perfeito,
Mas o nosso futuro, é decadente.
Suas lembranças são doces pesares,
Que eu carrego em minha mente.
Se a mentira foi feita pra amenizar,
Então explique-me pausadamente.
Por que deixaste-me acreditar,
Que você não era humana como a gente?
Você não tem coração de pedra,
Mas seu orgulho, é o que te afeta.
Você nunca quis mudar...
E, se hoje penso em te perdoar,
É porque tudo que eu tenho são lembranças nossas,
Eu não conheci outro mundo pra amar.

©2011 Luke

Tenham um dia cheio de cor.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Uma noite a mais...

O rádio tocava Arctic Monkeys enquanto o céu rasgava de negro aquela tarde de primavera. Os amigos compartilhavam a juventude e a inocência próprias da idade, e conforme o sol ia se escondendo atrás daquele rio, o brilho ia sendo revelado por baixo da pele pálida daquelas almas anceosas por adrenalina.
Entre realidades alcóolicas e incertezas juvenis, as peças de roupas eram abandonadas no chão daquele apartamento empoerado no bairro boêmio da cidade esquecida. Os toques macios os beijos tenros e doces, a vida se mostrava ao longo das linhas curvas daqueles corpos. Corpos esses despidos de tudo: roupas, preconceitos, certeza. Apenas poesia exalando da física do atrito.
O sol se pôs e um grito foi ouvido ecoando do quarto. Eles estavam completos.
E mais um dia se põe sob o seio da luxúria.

Tenha um dia cheio de cor.

O que sobrou de nós...

Passaram-se dias em silêncio, como se pudessem... ambos imersos em infindáveis pensamentos de dor e sofrimento. Ele alimentava por ela um desejo já expresso, enquanto ela, por sua vez nutria uma amizade terna e fraternal... Ah, o velho dilema, de certa forma ele também apreciava sua amizade, mas achava injusto que os toques não pudessem passar de abraços e beijos no rosto.
Queria mais, mas não sabia como... achou que um afastamento fosse a tática mais eficaz, pensava que recomeçar do zero lhe traria os benefícios que a proximidade lhe tirara. A dor de não poder falar com quem se ama, presente de volta num romance moderno... Vidas passam, dias se vão, e os dois seguem sem se falar, como pura prova de amor e amizade.

Tenham um dia cheio de cor.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Você a ama porque ela está morta.

Ela era daquelas que fazia de tudo pra agradar, estava sempre ali caso ele precisasse. Mas ele nunca a chamava e aos pouco a angústia da espera se tornava desespero, e ela se tornava tudo aquilo que sempre detestou. Se perdendo aos poucos, deixando um pedaço seu em cada parte da cidade, diluindo sua alma em álcool e soprando sua vida atráves de um maço de cigarro. Ela gritava por ajuda, ninguém a ouvia. De repente ele percebeu que também gostava dela, enquanto largava flores em seu túmulo, nada mais podia ser feito. Ele amava ela, mas ela estava morta.

Tenham um dia cheio de cor.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Praça da Matriz

Alguns chamavam de amizade, outros de desejo reprimido, ninguém sabia ao certo o que aquilo era, nem eles mesmos. Só sabiam uma coisa: era algo mal resolvido, os encontros furtivos todos esses anos provariam que nada mudaria, não importava o que fizessem. E eles tentaram de tudo, de uma conversa racional com troca de farpas a sexo no sofá ao som de Depeche Mode.
Amantes-amigos, amigos com vantagens, melhores amigos, ninguém sabia ao certo o que aquilo era, nem eles mesmos.

Tenham um dia cheio de cor.

A Rede Social

Passaram-se meses e eles continuavam sem se falar, cada um com mais vontade que o outro, mas seguiam impedidos por um orgulho besta daqueles de cegar corações. Ah, o ódio adolescente! Ninguém quer dar o braço a torcer não é mesmo? Perdidos em mundos paralelos ficando a apenas uma esquina de distância um do outro, mas sem trocar uma só palavra.
Vendo-se em cada mísero lugar possível, passando noites em claro pensando em uma forma de reverter a situação e esperando o outro tomar uma iniciativa para alimentar o próprio ego. Nada foi dito, nada foi feito, tudo terminou da mesma forma que começara: Uma venenosa troca de indiretas seguida de um silêncio profundo.

Tenham um dia cheio de cor.